HISTORIAL DO MOVIMENTO EM PORTUGAL

2010

– 21 de Outubro de 2010 foi dia de greve dos alunos do Ensino Superior. A Comunicação Social – rádio, Tv e jornais – acompanharam o assunto, mostrando o descontentamento generalizado face aos valores das propinas. A edição on line do “Público” tratou assim a greve estudantil:

“Milhares de alunos faltaram esta manhã  (21/10) às aulas em várias universidades e politécnicos do País. A greve colectiva foi a forma de protesto encontrada pelos estudantes para contestarem o aumento do valor das propinas. Alguns dos estabelecimentos de ensino foram mesmo encerrados a cadeado, impedindo a entrada de professores e funcionários.

Porto

Pelo menos oito universidades estiveram encerradas. O presidente da Federação Académica do Porto, Nuno Mendes, estima em pelo menos 80 por cento a adesão à greve. Segundo o dirigente associativo, as faculdades de Ciências e de Psicologia, o Instituto Superior de Engenharia, o Instituto Superior de Contabilidade e Administração e duas escolas de enfermagem (Ana Guedes e Cidade do Porto) foram encerradas a cadeado ao início da manhã. Nuno Mendes indicou que nas restantes escolas do Porto registam-se “casos muito positivos”, como a Faculdade de Ciências do Desporto com uma adesão de cem por cento e outros “menos positivos”, de que é exemplo a Faculdade de Engenharia. A Reitoria da Universidade do Porto acrescentou à lista de estabelecimentos onde não foram ministradas aulas as faculdades de Nutrição e de Letras.

Lisboa

Cerca de 90 por cento dos estudantes da capital aderiram ao protesto nacional, segundo dados de 14 associações estudantis da capital. Os estudantes exigem a revogação da lei do financiamento e contestam a redução do peso dos alunos nos órgãos das universidades, assim como o regime de prescrições. Em pelo menos três escolas – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Lisboa e Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – os portões foram fechados a cadeado.

No Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), os alunos decidiram abrir uma das portas de serviço “para que o direito à greve não chocasse com o direito ao trabalho”, mantendo-se, no entanto, à porta da instituição, indicou a associação de estudantes. Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, uma escola com 6000 alunos, a greve registou uma adesão na ordem dos 98 por cento. Segundo a associação de estudantes, foram poucas as aulas que funcionaram e mesmo essas tinham um número reduzido de alunos. Também na Faculdade de Ciências de Lisboa, “os alunos aderiram em massa”, com uma adesão de cerca de 95 por cento, disse a associação de estudantes da escola. No Instituto Superior Técnico, 75 por cento dos alunos aderiram ao protesto. Além da greve, a direcção da associação de estudantes decidiu realizar durante todo o dia acções de mobilização e sensibilização dos alunos, através de um plenário e de um churrasco, entre outras actividades culturas.

Os estabelecimentos de ensino em greve em Lisboa são os Institutos de Agronomia, Instituto de Ciências Sociais e Políticas, de Ciências do Trabalho e da Empresa, de Engenharia de Lisboa, das Faculdades de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, de Ciências de Lisboa, de Psicologia de Lisboa, de Letras, de Belas Artes, de Ciências Sociais e Humanas, Direito da Universidade Nova, de Direito de Lisboa e ainda da Escola Superior de Educação de Lisboa e da Escola Superior de Teatro e Cinema.

Coimbra

Na Universidade de Coimbra (UC), o presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC) estabeleceu em cem por cento a adesão à greve. Victor Hugo Salgado avançou que as aulas não se realizam na maioria das faculdades e departamentos da UC, em cujas entradas estão a funcionar piquetes de greve desde o início da manhã. Porém, o líder associativo admitiu que estão a decorrer as actividades lectivas “num ou noutro caso pontual”.

Bragança

Os alunos do instituto politécnico impediram a entrada de professores e funcionários nas instalações. Os estudantes, que vão pagar a propina mínina, explicaram que aderiram ao protesto para contestar a lei de financiamento do ensino superior. Na maior parte das escolas do Instituto Politécnico de Bragança os estudantes entraram e fecharam as portas, querendo com isto simbolizar que querem “estar dentro do ensino” e não serem afastados.

Aveiro

“Continuaremos a lutar até que a revogação da actual lei de financiamento seja uma realidade e nunca abriremos mão desta bandeira”, afirmou o presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro, José Ricardo Alves, que garantiu a adesão à greve dos 12 mil universitários da cidade.

Os universitários consideram que a greve nacional “é mais um passo fundamental para demonstrar o descontentamento geral dos estudantes do ensino superior público perante esta reforma legislativa”. Em Aveiro, as propinas foram fixadas em 640 euros e a associação académica já exigiu a convocação de um Senado extraordinário para rever essa decisão.

Beira Interior

Os estudantes da Universidade da Beira Interior (UBI) encerraram logo de madrugada com cadeados e outros obstáculos as portas do estabelecimento de ensino superior. Luís Franco, da associação académica da universidade, explicou que “se houvesse direito à greve” não havia necessidade de encerrar o estabelecimento de ensino, onde estudam cerca de cinco mil estudantes. Para as entradas da UBI foram mobilizados piquetes de estudantes para informar os restantes alunos sobre os motivos do encerramento e da greve.

Vila Real

Os alunos da Escola Superior de Enfermagem de Vila Real aderiram também à paralisação colectiva, contra a propina de 600 euros. A maior parte dos alunos pegaram em fotografias da ministra da Ciência e do Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho, que foram deitadas num ecoponto levado pelos alunos para junto da câmara. “Este ecoponto quer significar a reciclagem do ensino superior e a redução da propina”, salientou Sara Pele, da Associação de Estudantes da Escola Superior de Enfermagem. Os portões do estabelecimento de ensino foram encerrados logo pela manhã.

Trás-os-Montes e Alto Douro

Na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), depois de cinco dias encerrados, os portões da academia transmontana reabriram-se hoje para “se poder avaliar os efeitos da greve” neste estabelecimento de ensino. Rui Silva, presidente da Associação Académica da UTAD, sustentou que cerca de 90 por cento dos alunos aderiram à greve de hoje, porque “estão todos a lutar contra a propina injusta que aplicaram” na academia transmontana. Os professores e funcionários retomaram o trabalho, mas a grande maioria dos estudantes resolveu faltar às aulas em mais uma forma de protesto contra a propina de 700 euros imposta pelo senado da universidade.

Évora

A Associação de Estudantes da Universidade de Évora fala em “elevada adesão” à greve, mas reconhece haver alunos a frequentar as aulas para evitar a marcação de faltas. “Há professores que marcam falta, obrigando os alunos a ir às aulas, sobretudo nas aulas práticas”, disse João Condeixa, vice-presidente da associação, explicando haver estudantes que “não podem arriscar mais faltas”.
Embora alegando desconhecer, a meio da manhã, os valores de adesão à greve contra as propinas, João Condeixa garantiu que a paralisação está a registar “bastante” adesão.
O reitor da Universidade de Évora, Manuel Ferreira Patrício, propôs 660 euros para o valor da propina, um montante que considera “equilibrado” e “intermédio” entre o mínimo (460 euros) e o máximo (852 euros).

Faro
A quase totalidade dos alunos da Universidade do Algarve não aderiu à greve nacional, devido à coincidência com o tradicional desfile de boas-vindas ao caloiro, dia em que habitualmente não há aulas.
Porém, os alunos que participaram no desfile aproveitaram-no para manifestar a sua revolta contra o aumento das propinas, disse o presidente da Associação Académica da Universidade do Algarve, André Dias.

A 70 quilómetros da capital algarvia, onde se situam os dois campus principais da Universidade do Algarve, os cerca de 600 alunos do Campus de Portimão aderiram na quase totalidade à luta estudantil, contra o aumento das propinas.”Estamos com um índice de adesão de 90 a 95 por cento dos alunos”, disse o vice-presidente da associação estudantil em Portimão, Bruno Santos, sublinhando que os estudantes “não se limitaram a não aparecer, pois circulam no interior do Campus ou ficam à entrada da universidade”.

André Dias reafirmou a intenção dos estudantes de fechar a Universidade caso o Senado institua um valor de propina superior ao mínimo legal, de 464 euros.

Açores

Cerca de 300 estudantes da Universidade dos Açores e Escola de Enfermagem manifestaram-se em Ponta Delgada, sem, no entanto, impedirem o funcionamento das aulas.

Gritando palavras de ordem como “propinas não, queremos educação” e exibindo faixas negras de protesto, os alunos desfilaram entre as instalações do único estabelecimento de ensino superior das ilhas e o novo centro comercial da maior cidade açoriana.

O presidente da associação académica, Luis Vidal, reconheceu que o número presenças na manifestação “só representou dez por cento da população estudantil”, mas realçou “serem muitos os alunos que estão contra os aumentos das propinas” mas que “decidiram não aparecer”.

Luis Vidal admitiu a hipótese de uma nova manifestação se os estudantes “não concordarem” com o valor da propina que será fixado pelo senado, num reunião que deverá ocorrer no final de Outubro. “O montante que ficou estipulado até decisão do Senado será o valor mínimo em vigor, daí que muitos alunos já tenham pago a sua primeira prestação de 155.58 euros”, indicou.

Madeira

Os estudantes da Universidade da Madeira participaram de forma diferente na jornada de luta nacional, com uma greve de zelo que levou todos os alunos às aulas. Clara Freitas, presidente da Associação Académica da Universidade da Madeira, salientou que com esta postura os estudantes madeirenses pretendem demonstrar que estão a ser “responsáveis, cumprindo a sua parte ao ir às aulas, enquanto o Estado está a falhar”.
A líder associativa disse ainda que a propina para os estudantes madeirenses foi fixada em 670 euros, o valor mínimo proposto em reunião do senado da Universidade da Madeira.”

No vidéo seguinte tirado do site Esquerda.net podemos ver uma manifestaçao de estudantes em 2010:

Abaixo podemos ver um video realizado pelos Precarios Inflexiveis em 2010 apelando a uma Greve Geral:

2009

– Manifestaçao do Ensino Superior em Lisboa:

2008

– Associaçao Académica da Universidade de Tras-os-Montes e Alto Douro contra o aumento das propinas par 970 euros no ano lectivo de 2008/2009:

2007

– Alguns alunos da Universidade do Minho (UM) manifestaram-se contra as alterações que Bolonha veio implementar, mais concretamente contra a subida do valor da propina e a eventual não atribuição de bolsas de estudo no próximo ano:

2005

– Um artigo publicado no Jornal O Publico a 18 de Fevereiro de 2005 anuncia que o aumento das propinas afasta 600 alunos da Universidade do Minho:

“Por causa do aumento das propinas a Universidade do Minho (UM) perdeu seis centenas de estudantes. “O efeito do aumento das propinas foi significativo, verificando-se uma redução no número de alunos inscritos, na ordem dos 600”, garantiu Guimarães Rodrigues, o reitor da universidade minhota na cerimónia comemorativa do 31.º aniversário da instituição.

Os números parecem ter apanhado de surpresa tanto o Presidente da República, Jorge Sampaio, como Mário Soares, o anterior Presidente. Na cerimónia em que Joaquim Chissano recebeu o doutoramento “honoris causa” da UM em Ciência Política e Relações Internacionais (apadrinhado por Mário Soares), o reitor da Universidade do Minho apresentou as contas da instituição que dirige e garante haver a “percepção de que a taxa de abandonos cresceu face ao aumento do valor das propinas”. Guimarães Rodrigues diz mesmo que o aumento do valor a pagar pelos estudantes funciona como uma “‘discriminação negativa’ sobre instituições localizadas em regiões onde se verificam condições económicas e sociais mais desfavorecidas”, numa clara alusão à crise que se vive, de uma forma particularmente acentuada, no Vale do Ave. 

O aumento foi aprovado por decisão do Senado em 2003 e visou fornecer as receitas indispensáveis para assegurar a manutenção do funcionamento da escola. No passado ano lectivo, as propinas eram de 640 euros e, este ano, passaram a ser de 740 euros. Valores que, ainda segundo o reitor, levaram a que alguns estudantes, para evitar pagar as propinas, decidissem fazer as cadeiras que ainda lhes faltavam para acabar os respectivos cursos. 

Contudo, de uma forma geral, o aumento do valor provocou muitos danos na UM, mas terá sido a única forma encontrada pela reitoria para colmatar o “insuficiente investimento” estatal. “Em 2004 repetiu-se na Universidade o insuficiente investimento no ensino superior, por via de um orçamento de Estado que não contemplou nem a inflação nem os encargos correspondentes à progressão na carreira de docentes e funcionários”, referiu Guimarães Rodrigues. Em vez de aumentar, em 2004, o Orçamento de Estado, sofreu ainda uma “redução de cerca de dois por cento relativamente a 2003″, finalizou o reitor da UM.”


2004

– Artigo retirado do http://www.pt.euronews.net (confrontos entre estudantes e policia em Coimbra):

“Durante a tarde, a tentativa de invasão da sala pelos estudantes acabou em pancada, empurrões e uso de gás lacrimogénio pela polícia. Segundo a Associação Académica, seis alunos sofreram ferimentos ligeiros, um outro foi detido e será ouvido em tribunal. O reitor argumentou que a presença policial era necessária para assegurar o funcionamento normal do Senado. O presidente da Associação Académica de Coimbra, Miguel Duarte, contrapôs e falou em retrocesso democrático: “Isto nunca se passou na vida da nossa Universidade, pelo menos no tempo em que o Estado é de direito democrático”. Ao final do dia, após um encontro com o homólogo espanhol, em Faro, o Ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, defendia as forças de segurança e dizia desconhecer pormenores da situação: “Falam-me em cargas, eu não tenho conhecimento de cargas, oficialmente o que sei é que houve contenção. Agora falam-me de gás. Não sei de facto o que se passou”. O protesto durou até à noite e prolongou-se com uma vigília frente à esquadra da polícia, em sinal de apoio ao aluno detido. No fim da reunião o Senado decidiu aumentar a propina para o valor máximo. O reitor, Seabra Santos, lamenta os confrontos mas recusa demitir-se.”

2003

– Manifestaçao a 21 de Outubro de 2003 no IPS contra o aumento das propinas com acampamento e reapropriaçao do espaço:

1991-1995

– Artigo retirado do blog da Revista Rubra:

“Quando a luta estudantil levou à suspensão das propinas (1991-1995)/João Marques Lopes

 A ofensiva neoliberal contra o ensino superior desencadeada pelo cavaquismo, retomada pelo governo de Guterres, bastante incrementada pelos gabinetes do PSD/PP e agora levada ao cúmulo pelo «processo de Bolonha» aplicado por Sócrates enfrentou, inicialmente, sérias resistências. Vários ministros foram afastados. Houve mesmo um período em que o pagamento das propinas caiu, nomeadamente em 1995/96.

Após as lutas contra a readmissão dos professores fascistas em 1977, o movimento estudantil no ensino superior entrou em profunda letargia, havendo aqui e ali pequenas excepções como a oposição dos estudantes da FLUL à reestruturação dos cursos em meados dos anos 80. No início da década de 90, as movimentações vitoriosas contra a PGA foram o sinal de que algo estava a mudar, mas davam-se no secundário e não alteraram o panorama confrangedor nas academias. Lisboa, Porto e Coimbra eram dirigidas por elementos do PSD. A própria FLUL, cuja tradição de esquerda era bem conhecida, também estava nas mãos dos «laranjinhas». Com a decisão de aumentar as propinas e acabar com o direito constitucional ao «ensino tendencialmente gratuito», o governo de Cavaco Silva gerou uma onda de descontentamento que arrasaria esta vaga de associativismo de direita. Em Coimbra, o único lugar em que as eleições eram directas e não por voto burocrático das AEs, os «independentes» tomam a direcção com António Vigário à cabeça, havendo também elementos da JCP na lista vencedora. Em Lisboa, várias AEs importantes desvinculam-se da linha conciliadora da «laranjinha» Gabriela Seara. No Porto, Diogo Vasconcelos, o arqui-traidor do PSD, conserva as posições, mas há também faculdades que se lhe opõem (Psicologia, Belas-Artes, Ciências). Na FLUL, ganha uma lista dirigida pela JCP. Enfim, no início do ano lectivo de 1992/93, as clivagens tradicionais estavam presentes nas superstruturas, mas o mais importante é que a esmagadora maioria dos estudantes do ensino superior era claramente contra a política do cavaquismo para a educação e queria agir.

O movimento antipropinas

As primeiras mobilizações ocorreram ainda durante o ano lectivo de 1991/92. Em Março de 1992, surge o MECAP a promover a primeira manifestação de dimensão nacional contra o aumento de propinas. Embora contasse com mais quatro AEs, era basicamente animado pelas AEs da FCUL, da ESBAL e da FCSH, lugares onde a influência da JCP era muito forte (no caso da última, também havia influência do PSR). Porém, o pico da mobilização estudantil apenas se daria em Outubro/Novembro de 1992 e ultrapassaria já o marco organizativo do MECAP, cujas AEs continuariam, contudo, a ser muito importantes em todo o processo.

O grosso dos protestos concentrou-se nesses dois meses e agora o activismo das bases dava outra dimensão ao movimento, o que não significa que todas as superstruturas, quer as da direita associativa, quer as AEs contestatárias às quais se juntavam agora em força a Academia de Coimbra e a FLUL, não continuassem a actuar. No Minho e na UTAD de Vila Real, praças-fortes do associativismo «laranjinha», os estudantes realizam manifestações e chegam a invadir a reitoria à revelia das suas AEs. Em Évora e na Covilhã há greves. Na FCSH, os estudantes protagonizam várias acções. Na FCUN, no Monte da Caparica (Almada), a AE é destituída pelos estudantes em assembleia e forma-se uma comissão ad hoc de dezoito elementos que, dias depois, tentará marchar para o corte da Ponte 25 de Abril. Na Universidade de Aveiro, naquela que foi a forma de luta mais radical do período e contra a vontade da AE que tinha assinado o chamado Pacto Social com o Governo, uma comissão basista de 200 alunos promove com milhar e meio de colegas a ocupação e encerramento da instituição durante quatro dias. Estava-se no fim de Outubro-começos de Novembro, e com o termómetro bastante alto em várias universidades, importantes assembleias de mais de quinhentos estudantes decorrem por duas vezes na FLUL para discutir a possibilidade de trazer toda esta agitação até ao centro do movimento estudantil lisboeta de forma mais unificada e radicalizada sem se aguardar pela manifestação nacional prevista para 18 de Novembro. Com a incrível argumentação de que ainda não havia condições objectivas e era necessário esclarecer melhor os estudantes, a AE (agora dirigida pela JCP) não propunha nada de concreto a não ser a participação na «manif» de 18 de Novembro. Confrontada com uma proposta de greve de quatro dias e com a necessidade de aproveitar o momento para unificar e radicalizar feita por um quadro da FER, a AE foi ultrapassada pela base, que decidiu não só aprovar a greve, mas também mandatar uma «comissão paritária» de três elementos para fazer cumprir as determinações da assembleia. No primeiro dia de greve, cerca de meio milhar de estudantes da FLUL interrompem o trânsito na Cidade Universitária, conseguem a adesão dos colegas da Faculdade de Psicologia à greve e deslocam-se a Direito para engrossar a mobilização. Nada disto tinha sido previsto e desejado por nenhuma das AEs. A necessidade de fazer uma assembleia unificada da academia lisboeta ou de montar uma coordenadora nacional com delegados directamente eleitos nas bases em detrimento dos ENDAs ganhou então uma pequena vanguarda.

Sem um número de quadros suficiente, sem estrutura para manter esta dinâmica basista e contra as próprias AEs mais combativas que tinham a sua agenda condicionada por canais institucionais, pela concentração de todos os esforços numa manifestação nacional ampla desligada de um plano concreto e calendarizado de outras formas de luta (a promessa de dois dias de greve nacional para Dezembro feita por António Vigário cairia em saco roto na reunião do ENDA de fim de Novembro) e pela alergia a organismos de base que não fossem controlados por elas, os largos milhares de jovens que tinham protagonizado todas estas movimentações foram então encaminhados para o pico da grande manifestação nacional de mais de 10 000 estudantes de 18 de Novembro de 1992. A partir daqui houve claramente um declinar do movimento.

Carga policial reacende mobilização

Em 24 de Novembro de 1993, depois de manifestações bem mais pequenas, de greves e acções mais limitadas e de uma campanha por um boicote utópico ao pagamento das propinas, o movimento parecia esgotado. Uma manifestação anémica de pouco mais de mil estudantes dirige-se então à Assembleia da República para fazer mais um protesto simbólico quando uma violenta carga policial vem transformar um problema mais confinado ao movimento estudantil numa questão de política nacional. O governo, que já tinha lançado a polícia de choque sobre sectores de trabalhadores como no caso da TAP, é agora visto como truculento e repressivo. As greves e manifestações estudantis mais ou menos espontâneas ocupam as duas semanas a seguir à carga policial. A 7 de Dezembro, uma enorme «manif» de 20 000 pessoas junta universitários, secundaristas, professores, sindicalistas e povo anónimo contra a violência policial. O governo está na retaguarda. Couto dos Santos é demitido.

Passada a fase mais aguda do conflito novamente num contexto em que as tendências mais basistas se fizeram sentir sem conseguir influenciar o rumo geral dos acontecimentos e com as superstruturas a orientarem-se outra vez num modelo que privilegiava as decisões das cúpulas desprovidas de radicalização e democraticidade, ficava um panorama em que o desgaste do cavaquismo, meses depois acelerado pelos tumultos contra as portagens na Ponte 25 de Abril, pela repressão aos vidreiros da Marinha Grande e pela luta dos secundaristas em prol da rejeição das «provas globais», não permitiu que o valor das propinas alcançasse os cerca de 150 contos previstos inicialmente para vigorar no ano lectivo de 1994/95. Não chegava ainda aos 60 contos. Se o cavaquismo tinha conseguido fazer retroceder o princípio do «ensino tendencialmente gratuito», também é verdade que a resistência estudantil não fora derrotada claramente. Prova disso é que, no fim de 1995, o primeiro governo de Guterres viria a suspender provisoriamente o pagamento das propinas.”

1993

Geraçao Rasca, alunos mostram as nalgas ao ministro da educação:

http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Quando-a-geracao-rasca-mostrou-o-rabo-ao-ministro.rtp&headline=20&visual=9&article=423992&tm=8

1992

– O video que se segue mostra uma performance teatral contra as propinas pelos estudantes da Faculdade de Direito na Universidade de Lisboa, o video do Canal 1 data do 20 de Novembro de 1992:

1984

– Assembleia Magna dos estudantes da Universidade de Coimbra, 29 de Novembro de 1984:

A Lista C cumpria o seu segundo mandato à frente dos destinos da AAC, sendo Presidente Ricardo Roque (Direito). Magna inserida no processo de luta estudantil, que obrigou à cedência do governo do Bloco Central, suspendendo a entrada em vigor da Portaria n.º 863-A/84 de 16 de Novembro (regulamenta a atribuição de bolsas de estudo e isenção de propinas através dos serviços sociais do ensino superior, fixa o preço das refeições nas cantinas universitárias e revoga as Portarias n.os 760/81, de 1 de Setembro, e 953-A/83, de 29 de Outubro).
Momento ímpar da vida estudantil, com uma Magna bastante participada.

Vídeo apresentado em dez excertos, reproduzindo-se aqui o primeiro da série. No último vídeo, a partida dos estudantes para Miranda do Corvo. Enquanto decorria uma manifestação nacional, em Lisboa, com 400 estudantes, a AAC mobilizara mais de um milhar para Miranda do Corvo, onde preparariam recepção calorosa ao ministro mal-amado. À partida para Miranda do Corvo, Roque já recebera a notícia da suspensão da portaria, mas nada disse aos estudantes, proporcionando-lhes assim um passeio ao idílico concelho vizinho de Coimbra. José Augusto Seabra não apareceu.

Veja também a notícia da suspensão da portaria no Telejornal da RTP1, sexta-feira, 30 de Novembro de 1984, apresentado por Dina Aguiar (em 2009 pivot do Portugal em Directo). http://www.youtube.com/watch?v=IQYJ2Ss_O0A
Visite o blog do Projecto C em http://aac-projectoc.blogspot.com/

Ainda em 1984 o antigo estudante de Coimbra e cantor popular José Afonso exprime-se em relaçao à sociedade imposta aos jovens:

1975

Jean-Paul Sartre visita o mundo universitario português e surpeende-se pela pouca participaçao dos estudantes durante o P.R.E.C.:

1969

– Artigo retirado do Jornalismo Porto Net:

Movimento estudantil português:

Antes e depois do Maio de 68

Por Amanda Ribeiro – ljcc05012@letras.up.pt

Publicado: 02.05.2008 | 23:44 (GMT)

A década de 60 foi o palco das reivindicações dos estudantes portugueses. Três momentos de crise, três perspectivas sobre a Geração de 60. O movimento estudantil português cresceu ao longo da década de 60. Ideais como a liberdade e a igualdade inspiravam a luta contra a opressão do regime. A defesa da autonomia universitária e a oposição à guerra colonial eram o prato forte das exigências, enquanto em Paris os trabalhadores e estudantes fundavam o “primeiro território português livre e socialista”. José Medeiros Ferreira, professor universitário e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, participou activamente nas lutas estudantis. Entre 1961 e 1963 foi dirigente da Associação de Estudantes pró-Letras, tendo participado activamente na crise estudantil de 1962, a primeira grande vaga de contestação. “Foi a que teve maior expressão. Tudo começou em Lisboa com a proibição da comemoração do Dia do Estudante. Depois passou para o Porto e Coimbra com centenas de estudantes expulsos”, recorda Medeiros Ferreira, que acabaria por ser detido pela PIDE durante três meses e depois expulso de todas as universidades do país por ter voltado a “dirigir movimentos de contestação”. Foi em Genebra, na Suíça, onde se exilou, que assistiu às movimentações do Maio de 68. Acredita que com o passar dos anos “os movimentos foram-se tornando mais politizados, mais orientados para a ditadura salazarista”. Por isso, para Medeiros Ferreira, a crise estudantil de 1969 não foi apenas um “contágio do Maio de 68 francês” pois teve em conta “temas centrais como a luta contra a ditadura e contra a guerra colonial”. “Preparávamos forças e condições para a abertura do regime” Depois da crise de 1962, o ano de 1965 ficou marcado por grande agitação estudantil. Em Janeiro, cerca de 50 estudantes foram detidos pela PIDE por, alegadamente, pertencerem ao PCP. O balanço de meses de protesto foi a exclusão de 53 alunos de todas as universidades do país e a suspensão de mais de 100 estudantes. Vítor Dias, membro do Comité Central do PCP, participou no movimento associativo enquanto estudante de Direito, de 1965 a 1968. “O ano de 65 foi de grande repressão. Preparávamos forças e condições para a abertura do regime. Claro que isto era feito debaixo da cobertura da revindicação por causa das matérias educativas”, considera o antigo activista. Para Vítor Dias, as associações de estudantes eram “autênticos sindicatos estudantis” e, por isso, o Maio de 68 não influenciou completamente o movimento estudantil, nomeadamente a crise de 1969. “Creio que, no essencial, essa crise ainda se moveu dentro dos padrões das crises portuguesas, embora com características novas, como a liberdade sexual”, conclui. “Nunca acreditámos que o amanhã falasse por si” A crise estudantil de 1969 provocou a demissão do ministro da Educação, a mudança de reitor e o envio dos “estudantes mal comportados” para a guerra colonial. Em Coimbra, os estudantes saíam à rua evocando luto académico, em solidariedade com os colegas detidos. Quem acendeu o rastilho foi o presidente da Associação Académica de Coimbra. Na inauguração do Edifício das Matemáticas, Alberto Martins dirigiu-se ao Presidente da República, Américo Tomás, para pedir a palavra em nome dos estudantes. O pedido foi recusado, a cerimónia terminou de forma abrupta e Alberto Martins foi detido nessa noite. A jornalista Diana Andringa assistiu aos eventos à secretária de um semanário em que trabalhava. Recorda-se de uma “vontade de mudar o mundo”, que a crise de 1969 partilhou com o Maio de 68. “O movimento de 1969 inspirou-se no Maio de 68 no seu lado estético e na forma de reivindicar e deu atenção a outros problemas como a igualdade ou o amor livre”, como era demonstrado nos slogans que ecoavam nas ruas de Paris. Foi numa perspectiva de homenagear estes ideais que, em 1989, Diana Andringa criou uma série documental chamada “Geração de 60”, que se debruçava sobre a guerra colonial, as crises universitárias e a repressão do regime. “Esta geração tem de ser contada… Aqueles jovens que, com vinte anos, iam para a guerra e, ou eram mortos, ou tinham de matar. Imagine-se o que é transformarmo-nos naquilo que mais nos repugna. A minha geração teve de viver com isso e não merece ser esquecida”, justifica Diana Andringa, referindo-se à herança deixada pelo movimento estudantil de 60 às gerações actuais. A jornalista considera que as lutas estudantis eram motivadas, principalmente, por um “gozo imenso” porque a “única recompensa era ir para a cadeia”. “Eu devo à minha geração ela ter-me permitido viver com ela. Nós nunca acreditámos que o amanhã falasse por si. Mas queríamos um amanhã melhor”, admite Diana Andringa.

1962

As origens do actual Dia do Estudante – A Crise Académica de 1962:

http://www.youtube.com/watch?v=TNUSd9yHd2k

“Hoje não são muitos os que recordam as razões que identificam o dia 24 de Março com os estudantes. Para as compreendermos temos que recuar à crise académica de 1962 e às causas das lutas estudantis desde o início do século.

Em 1921 os estudantes da Universidade de Coimbra estavam em luta por melhores instalações. O espaço destinado à academia era muito reduzido, sobretudo quando comparado com as generosas acomodações dos professores. Estes tinham no Clube dos Lentes um símbolo do seu poder e da tradição universitária, pelo que os estudantes lhe chamavam “Bastilha”. Demonstrando um espírito de união e solidariedade sem precedentes, os estudantes ocuparam o Clube dos Lentes no dia 25 de Novembro desse ano, marcando o seu protesto. Esse dia passou a ser conhecido como a “Tomada da Bastilha” e os seus aniversários comemorados como Dia do Estudante.

Foi assim até 1961. Nesse ano, como era hábito, as comemorações do 25 de Novembro reuniram em Coimbra estudantes de todo o País. Mais de duzentos participaram num jantar, durante o qual a frase “Queremos paz!” ecoou em protesto contra a Guerra Colonial, inspirando um animado cortejo pela cidade. A polícia apareceu e vários estudantes foram presos, o que suscitou uma vaga de apoio e indignação em todo o país. A tensão era visível nas academias do Porto e de Lisboa e marcou a inauguração da nova Reitoria na Cidade Universitária.

Foi neste clima que, já em 1962, se realizaram vários encontros de dirigentes associativos que deram origem a um Secretariado Nacional de Estudantes Portugueses e à realização, em Coimbra, do primeiro Encontro Nacional de Estudantes, ignorando a proibição que o Governo tinha decretado. Essa rebeldia foi paga pelos membros da direcção da Associação Académica, com a instauração de processos disciplinares e a correspondente suspensão. Os estudantes de Coimbra responderam com o luto académico e a greve às aulas.

Em Lisboa, as associações de estudantes pretendiam comemorar o Dia do Estudante no final de Março. E, mesmo sem autorização do Ministério da Educação Nacional, as comemorações iniciaram-se a 24 de Março de 1962. O regime respondeu com a sua brutalidade habitual. A cantina foi encerrada e a Cidade Universitária invadida pela polícia de choque, ignorando a autonomia universitária. Estudantes foram espancados e presos, desencadeando uma reacção de repúdio que levou a que fosse decretado o luto académico e a greve às aulas.

Marcelo Caetano era Reitor da Universidade de Lisboa e mediou uma solução negociada para o problema. Os estudantes voltavam às aulas, mas realizar-se-ia um segundo Dia do Estudante nos dias 7 e 8 de Abril. Assim fizeram os estudantes mas, chegada essa data, o Ministério voltou a proibir as comemorações. O Reitor sentiu-se desautorizado e demitiu-se. O luto académico foi reposto e os estudantes desceram do Campo Grande ao Ministério (então no Campo Mártires da Pátria) ao som do grito “Autonomia!”.

A agitação continuou até ao fim desse ano lectivo, continuando a greve às aulas e repetindo-se confrontos entre estudantes e polícia em Lisboa, Porto e Coimbra. Em resposta, o Governo, demonstrando a sua habitual inflexibilidade, aprovou um decreto-lei que permitia ao Ministro da Educação proceder disciplinarmente contra os estudantes. Aplicando esses novos poderes, os dirigentes associativos foram suspensos e inúmeros estudantes presos.

Face a estes novos desenvolvimentos os estudantes dificilmente poderiam continuar a sua luta nos moldes que estavam a utilizar. Ainda assim, reuniram-se no Instituto Superior Técnico no dia 14 de Junho, onde aprovaram um resolução que enquadrava a sua luta pela autonomia universitária e a passou a orientar também para a autonomia associativa. Passou assim a estar em causa o Decreto-Lei n.º 40900, aprovado pelo Governo em 1956. Este diploma só permitia a tomada de posse dos dirigentes associativos depois de autorização do Ministério, previa a participação de um “delegado permanente do director da escola” em todas as reuniões associativas e dava ao Ministro o poder de substituir as direcções eleitas por “comissões administrativas” nomeadas por ele, suspender o seu funcionamento ou mesmo extingui-las.

Olhando a esta distância, parece desenhar-se uma sombra de ironia sobre estes acontecimentos por ter sido a tentativa autoritária do Governo de controlar as associações que ajudou a que os estudantes se unissem e empreendessem uma luta pela preservação das suas associações como um espaço de genuína democracia, embora pequeno numa sociedade fascista e ditatorial. É também curioso encontrar nestes episódios distantes da luta estudantil várias caras nossas conhecidas. Desde o actual Presidente da República, Jorge Sampaio, que na altura era Secretário-Geral da Reunião Inter Associações ao actual Reitor da Universidade de Évora, Jorge Araújo, que pertencia à direcção da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, que então frequentava e do qual foi expulso na sequência da sua participação no Dia do Estudante e nos acontecimentos que se lhe seguiram.

De tudo isto ficou a memória e a data: 24 de Março, escolhida pela Assembleia da República quando em 1987 fixou o Dia do Estudante. E que bom que é poder assistir à manifestação livre das reivindicações dos estudantes, quer se concorde ou não com todas elas, num ambiente democrático de respeito pelos seus direitos, liberdades e garantias.

Rui Grilo
(artigo publicado no Jornal da Universidade de Évora n.º 8, Abril de 1999)”

1871 

 A Geração de 70:

A “Geração de 70” foi um movimento académico de Coimbra que veio revolucionar várias dimensões da cultura portuguesa, da política à Literatura, onde a renovação se manifestou com a introdução do realismo.

Num ambiente boémio, na cidade universitária de Coimbra, Antero de Quental, Eça, Oliveira Martins, entre  outros jovens intelectuais, reuniam-se para trocar ideias, livros e formas para renovação da vida política e cultural portuguesa, que estava a viver uma autêntica revolução com os novos meios de transportes ferroviários, que traziam todos os dias novidades do centro da Europa, influenciando esta geração para as novas ideologias. Foi o início da “Geração de 70”.

Em Coimbra, este Grupo gerou uma polémica em torno do confronto literário com os ultra românticos do “Bom senso e Bom gosto” ou mais conhecido por a  questão coimbrã. Mais tarde, já em Lisboa, os agora licenciados reuniam-se no Casino Lisbonense, para discutir os temas de cada reunião, que acabara por ser proibida pelo governo.

Depois das reuniões, a geração de oiro de Coimbra acabou por não conseguir fazer mais nada, muito menos executar os seus planos que revolucionaria o pais, e acabando por  considerarem-se “os vencidos da vida”, que não conseguiram fazer nada com que se comprometeram.

Na segunda metade do século XIX, após a crise da implantação do liberalismo em Portugal, o romantismo, com a morte de Garrett e com a retirada de Herculano, esgotara as suas potencialidades.

Contra Castilho o ultra-romantismo revolta-se a geração intelectual que se formava em Coimbra, por alturas de 1865. Assim, a primeira manifestação importante dessa rebeldia foi a questão do bom senso e bom gosto. Com ela, já se tem dito, se iniciou o espirito contemporâneo nas letras portuguesas, com ela, entram em conflito um novo espirito europeu e o ultra-romantismo. Um novo lirismo, mais de cariz crítico, social e humanitário, ergueu-se contra o velho gosto literário, mas também, mais amplamente, contra concepções políticas, históricas e filosóficas.

Chefiam este movimento Antero de Quental e Teófilo Braga, cuja obra mostra bem as incompatibilidades, mais profundas do que as literárias, com a ordem vigente.

Em 1871, as Conferências Democráticas do Casino Lisbonense visam colocar Portugal a par do movimento europeu e estudar as condições de transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa. Pode afirmar-se que a Geração de 70 procura realizar, no nosso país, em fazer uma revisão de valores, em reformar os estilos de literatura e estilos de vida, em proceder a uma europeização cultural. ”     

Tavares e Mário Ferro, in O Pensamento de Antero de Quental, Editoria.

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